Dec 15, 2007

NY Diaries 21: O Natal em Nova Iorque

O Natal em Nova Iorque é magia, é o verdadeiro "White Christmas" que desperta inúmeras memórias de criança, quando, para vislumbrar o verdadeiro natal branco dos livros de histórias, era preciso viajar para outras paragens fora da Lisboa habitual. Aqui faz frio, a cidade cobre-se de branco quase todos os anos por esta altura e combinam-se visitas aos ringues de patinagem no gelo em Centra Park, Bryant Park e Rockefeller Center.

O Natal começa oficialmente com a cerimónia da iluminação das árvores no final de Novembro. Há várias espalhadas pela cidade, no Lincoln Center, no Madison Square Park, onde decorreu a primeira cerimónias de iluminação da árvore de Natal da América e, claro, a universalmente conhecida árvore no Rockefeller Center. Os próprios prédios são árvores de Natal gigantes, transformando Nova Iorque num enorme bosque enfeitado.

Mas Nova Iorque também é diversidade. Aqui desejam-se boas festas e não feliz Natal, a árvore de Natal é muitas vezes chamada de árvore das festas ou Holiday Tree, para que todos se sintam representados e para que as decorações festivas sejam realmente para todos. Nesta altura do ano, os símbolos cristãos e pagãos convivem com outras tradições que, aqui, adquirem especial importância devido ao tecido cultural da cidade. Nesta época a religião judaica celebra o Hanucá, ou Festival das Luzes, instituído por Judas Macabeu e seus irmãos para comemorar a libertação de Jerusalém do domínio selêucida e a purificação do templo sagrado. Nas montras e entradas dos prédios de Nova Iorque as árvores de Natal e as renas coabitam com o Chanukia ou Menorá, um candelabro para nove velas. Este ano, o primeiro dia do Festival das luzes calhou a 5 de Dezembro e dura oito dias, durante os quais se acende uma nova vela cada dia para celebrar o milagre original aquando da libertação do templo, em que a Menorá permaneceu acesa por oito dias com o azeite consagrada para um dia apenas. Por seu turno, o presépio mais proeminente na cidade é o presépio barroco do Metropolitan Musem of Art que todos os anos é recreado com as peças do século XVIII provenientes de Nápoles.

Nova Iorque transforma-se ainda na cidade de cristal com a estrela Swarovski no topo da árvore do Rockfeller Center e do enorme floco de neve UNICEF feito de 16.000 prismas de cristal Baccarat no topo do cruzamento da 5.ª Avenida com a Rua 57. As grandes lojas como o Saks ou o Bloomingdales lembram verdadeiros musicais de Hollywood dos tempos de Fred Astaire e Ginger Rogers, cobertas numa profusão de luzes e com montras decoradas como palcos de teatro ou encenações de bailes de máscaras.

Outra tradição bem Nova Iorquina, são as gorjetas dadas por esta altura com as boas festas aos porteiros e pessoal dos prédios residenciais. Também se recebem cartões de Natal, por vezes inesperados, como o que recebi esta semana do "Pai Natal" que me deixa o jornal à porta todas as noites. Além de tudo isto, as festas, por caridade, porque é Natal, enfim, porque aqui nunca são necessárias grandes desculpas para se festejar e estar com o chamado Holiday mood.

[Publicado no Semanário Económico - 14 de Dezembro, 2007]