As cores de uma cidade inebriam os sentidos e passam ao mundo do subconsciente onde ficam e marcam cada novo olhar e cada memória. Nova Iorque, por vezes, é cinzento, marcado pelo aço dos arranha-céus que emolduram as ruas, por vezes verde do Central Park e doutras praças ajardinadas. Acima de tudo, o que marca a cidade durante a maior parte dos dias do ano é a luz, uma luz brilhante, cristalina e vibrante que inspira os artistas e ilumina a alma dos seus moradores. As cores da cidade também se manifestam de noite, os néons de Time Square, as cores que iluminam o topo do Empire State Building, cujo calendário das combinações para cada semana constam das notícias locais, e as iluminações de outros prédios que assim adquirem uma identidade própria e contribuem de uma forma muito particular para a paisagem nocturna de Manhattan.
A Primavera, no entanto, é ainda uma esperança distante, mas os New Yorkers não só a desejam desesperadamente, como a celebram de várias formas. A Primavera este ano é auspiciosamente colorida, de tons fortes e contrastantes, inspirada pelos anos setenta e pelo famoso Studio 54, a discoteca nova iorquina que fez furor nesta década que continua a ser inspiração. Mas estas são as formas para a estação que se podem ver mais nas montras do que ao vivo, porque o frio ainda não permite que a roupa mais amena assuma o papel de protagonista. Por sua vez, o museu de arte moderna presta homenagem à cor na exposição Color Chart: Reinventing Color, 1950 to Today. Desde a zona da entrada junto ao acesso às galerias dos pisos superiores que adquiriu uma nova textura com uma instalação de Jim Lambie que cobre o chão de tiras de fita adesiva multicor, num padrão de linhas continuas. À própria exposição, na zona dedicada a exposições temporárias no sexto andar, que invoca memórias de infância em que me deliciava a experimentar e a desafiar a palete das cores possíveis com aguarelas, guaches ou lápis de cor e de cera. Aqui a cor é mostrada na sua forma pura, tanto nos mostruários de tintas gigantes de Gerhard Richter, como nos quadros de Frank Stella em que a cor é aplicada sem quaisquer adições ou misturas, tal como vem da loja. Esta exposição explora uma tendência, patente na segunda metade do século XX, para usar a cor como um produto comercial e estandardizado em desafio ao conceito de expressão artística através da manipulação individualizada da cor que, por vezes, se tornava a própria imagem de marca do artista.
Mas enquanto o regresso aos pincéis nos intervalos da vida de consultora não acontece, podemos sempre imaginar como Pamuk que as palavras são o nosso meio para dar cor à realidade: "From the moment he begins to use words like colors in a painting, a writer can begin to see how wondrous and surprising the world is, and he breaks the bones of language to find his own voice." (Other Colors: Essays and a Story, 2007).
A Primavera, no entanto, é ainda uma esperança distante, mas os New Yorkers não só a desejam desesperadamente, como a celebram de várias formas. A Primavera este ano é auspiciosamente colorida, de tons fortes e contrastantes, inspirada pelos anos setenta e pelo famoso Studio 54, a discoteca nova iorquina que fez furor nesta década que continua a ser inspiração. Mas estas são as formas para a estação que se podem ver mais nas montras do que ao vivo, porque o frio ainda não permite que a roupa mais amena assuma o papel de protagonista. Por sua vez, o museu de arte moderna presta homenagem à cor na exposição Color Chart: Reinventing Color, 1950 to Today. Desde a zona da entrada junto ao acesso às galerias dos pisos superiores que adquiriu uma nova textura com uma instalação de Jim Lambie que cobre o chão de tiras de fita adesiva multicor, num padrão de linhas continuas. À própria exposição, na zona dedicada a exposições temporárias no sexto andar, que invoca memórias de infância em que me deliciava a experimentar e a desafiar a palete das cores possíveis com aguarelas, guaches ou lápis de cor e de cera. Aqui a cor é mostrada na sua forma pura, tanto nos mostruários de tintas gigantes de Gerhard Richter, como nos quadros de Frank Stella em que a cor é aplicada sem quaisquer adições ou misturas, tal como vem da loja. Esta exposição explora uma tendência, patente na segunda metade do século XX, para usar a cor como um produto comercial e estandardizado em desafio ao conceito de expressão artística através da manipulação individualizada da cor que, por vezes, se tornava a própria imagem de marca do artista.
Mas enquanto o regresso aos pincéis nos intervalos da vida de consultora não acontece, podemos sempre imaginar como Pamuk que as palavras são o nosso meio para dar cor à realidade: "From the moment he begins to use words like colors in a painting, a writer can begin to see how wondrous and surprising the world is, and he breaks the bones of language to find his own voice." (Other Colors: Essays and a Story, 2007).
Jim Lambie - Instalação de Fita Adesiva no Chão
[Publicado no Semanário Económico - 14 de Março, 2008]