É oficial, o Verão acabou, pelo menos em termos Nova Iorquinos. Esta passada segunda-feira foi o Labor Day, dia que para os Nova Iorquinos representa o adeus ao Verão, aos Hamptons, às ruas com multidões mais reduzidas e aos restaurantes in disponíveis para uma reserva de última hora. Eu adoro o Verão e tudo aquilo que vem com o dito, mesmo quando este é passado maioritariamente na cidade. Adoro a subtracção das camadas de roupa que se têm que usar no Inverno, o calor, as explanadas e os terraços que se abrem à cidade para sua contemplação, e a possibilidade de praia, mesmo que muitas vezes não concretizada. Desde sempre, que quando o fim do Verão se aproxima sinto uma nostalgia antecipada que nunca conseguiu ser erradicada pela expectativa de um novo começo, seja de ano escolar ou um novo estágio na carreira, nos casos, como o da minha empresa, em que as promoções se tornam efectivas no primeiro de Setembro. Mas o Labor Day não significa apenas o fim do Verão, marca também a rentrée, ou seja, quando o calendário social recomeça em pleno, como se ressuscitado da languidez das férias, pronto a tomar a cidade de assalto.
A rentrée social foi acompanhada pelo lançamento oficial do período de campanha eleitoral, com a Convenção Nacional do Partido Democrata a dominar os meios de comunicação social durante a semana que precedeu o Labor Day. Washington, D.C., onde estive em trabalho dois dias depois de ter aterrado de Estocolmo, estava a meio gás, com muitos dos políticos em Denver, onde decorreu a convenção, e com o Capitólio ainda de férias. A cidade emana solenidade e representa sempre um encontro com o poder, seja com horários marcados, em edifícios governamentais, como fora de horas, em baluartes dos bastidores da política, como o Capital Grill (o original), onde jantei depois de um dia de reuniões.
A experiência urbana continua não apenas a ser vivida em pleno em Nova Iorque, como também a ser objecto de exposições. Desta feita no Museum of Modern Art ("MoMA"), na maior mostra de quadros da série Berlin Street Scene de Kirchner, pintados entre 1913 e 1915, que ilustram, precisamente, o glamour e ao mesmo tempo a alienação da vida urbana. Noutra exposição, que já tinha visto o ano passado na Tate Modern, em Londres, Dalí: Painting and Film, denota-se o impacto que Nova Iorque teve em Dalí aquando da sua visita em 1934 nos desenhos para os cenários de um filme que este estava a planear, Les Mystères Surréalistes de New York. Também Dalí foi enfeitiçado pelos predicados da cidade e depois desta viagem a Nova Iorque seguiram-se várias outras.
No mundo do desporto, está a decorrer às portas de Manhattan o U.S. Open, que este ano celebra quarenta anos. Federer é um veterano do Open, tendo sido o único jogador que ganhou o torneio quatro vezes consecutivas e é com grande expectativa que se aguarda a final masculina.
A rentrée social foi acompanhada pelo lançamento oficial do período de campanha eleitoral, com a Convenção Nacional do Partido Democrata a dominar os meios de comunicação social durante a semana que precedeu o Labor Day. Washington, D.C., onde estive em trabalho dois dias depois de ter aterrado de Estocolmo, estava a meio gás, com muitos dos políticos em Denver, onde decorreu a convenção, e com o Capitólio ainda de férias. A cidade emana solenidade e representa sempre um encontro com o poder, seja com horários marcados, em edifícios governamentais, como fora de horas, em baluartes dos bastidores da política, como o Capital Grill (o original), onde jantei depois de um dia de reuniões.
A experiência urbana continua não apenas a ser vivida em pleno em Nova Iorque, como também a ser objecto de exposições. Desta feita no Museum of Modern Art ("MoMA"), na maior mostra de quadros da série Berlin Street Scene de Kirchner, pintados entre 1913 e 1915, que ilustram, precisamente, o glamour e ao mesmo tempo a alienação da vida urbana. Noutra exposição, que já tinha visto o ano passado na Tate Modern, em Londres, Dalí: Painting and Film, denota-se o impacto que Nova Iorque teve em Dalí aquando da sua visita em 1934 nos desenhos para os cenários de um filme que este estava a planear, Les Mystères Surréalistes de New York. Também Dalí foi enfeitiçado pelos predicados da cidade e depois desta viagem a Nova Iorque seguiram-se várias outras.
No mundo do desporto, está a decorrer às portas de Manhattan o U.S. Open, que este ano celebra quarenta anos. Federer é um veterano do Open, tendo sido o único jogador que ganhou o torneio quatro vezes consecutivas e é com grande expectativa que se aguarda a final masculina.
Ernst Ludwig Kirchner, Berlin, Street (1913)
[Publicado no Semanário Económico - 5 de Setembro, 2008]