Cada cidade vivida por nós tem um componente de "nossa cidade", ou o nosso lote ou espaço soberano, em que nós, e apenas nós, reinamos, ditando o conteúdo de acordo com as nossas experiências.
O exterior, esse, vai evoluindo e vai-se transformando. De acordo com Brancusi, "arquitectura é escultura habitada", pois Londres está a ser esculpido intensivamente, bastando olhar para a linha do horizonte sobre a City de uma das inúmeras pontes sobre o Tamisa para ver uma imensa plantação de gruas e andaimes.
Os próprios locais vão incorporando a paisagem em metamorfose. Um exemplo disso é o Skylon, um novo restaurante localizado nas premissas do Royal Festival Hall, moderno, com uma decoração ousada, que delicia não só pelo menu de estilo Europeu contemporâneo, por Helena Puolakka, mas, também, pelas enormes janelas que funcionam como telas gigantes que vão mudando a abordagem ao tema Londres de acordo com a hora do dia e de acordo com a evolução arquitectónica da cidade.
Mas, nas palavras de Antony Gormley, cujo trabalho se encontra até 19 de Agosto em exibição na Hayward Gallery, "The body is our first habitation, the building our second". O nosso corpo é o meio para percepcionarmos e ao mesmo tempo moldarmos o que nos rodeia. Mega cidades como Nova Iorque ou Londres, são o produto de milhões de impressões digitais, ao mesmo tempo únicas e globais. Gormley explora esta dicotomia do corpo humano como sujeito e objecto, através de um convite ao observador para embarcar numa viagem pela dimensão física das instalações em mostra. Cada experiência é única, mas ao mesmo tempo pode ser partilhada por terceiros de um ponto de vista diverso. Neste contexto, é de realçar Blind Light, cujo título dá nome à exposição, que consiste numa viagem pelo vazio, ou seja, por entre vapor de água denso, num compartimento rectangular de luz brilhante, que pode ainda ser observada do exterior se os sujeitos da viagem se aproximarem das paredes exteriores do compartimento. Por fim, Allotment II, ou uma miríade de caixas rectangulares de cimento, que representam o menor espaço possível com dimensões suficientes para abrigar um corpo humano.
O tema da interacção entre o ser individual e as mega-metrópoles de hoje é retomado pela Tate Modern. Para além de Dalí and Film e The Body of Colour, por Hélio Oiticica, uma das exposições temporárias da Tate é, precisamente, dedicada às Global Cities. De acordo com as estatísticas mais recentes das Nações Unidas, 50% da população mundial vive hoje em cidades e é estimado que em 2050 esta percentagem ascenda aos 75%. Esta exposição analisa e interpreta o impacto deste crescimento urbano nas pessoas e no ambiente. No fundo, explora o eu e a dimensão social e espacial do eu e em que medida as decisões individuais do eu e a forma como o eu vive são (ou não) influenciadas pela dimensão dinâmica das cidades onde se insere.
O exterior, esse, vai evoluindo e vai-se transformando. De acordo com Brancusi, "arquitectura é escultura habitada", pois Londres está a ser esculpido intensivamente, bastando olhar para a linha do horizonte sobre a City de uma das inúmeras pontes sobre o Tamisa para ver uma imensa plantação de gruas e andaimes.
Os próprios locais vão incorporando a paisagem em metamorfose. Um exemplo disso é o Skylon, um novo restaurante localizado nas premissas do Royal Festival Hall, moderno, com uma decoração ousada, que delicia não só pelo menu de estilo Europeu contemporâneo, por Helena Puolakka, mas, também, pelas enormes janelas que funcionam como telas gigantes que vão mudando a abordagem ao tema Londres de acordo com a hora do dia e de acordo com a evolução arquitectónica da cidade.
Mas, nas palavras de Antony Gormley, cujo trabalho se encontra até 19 de Agosto em exibição na Hayward Gallery, "The body is our first habitation, the building our second". O nosso corpo é o meio para percepcionarmos e ao mesmo tempo moldarmos o que nos rodeia. Mega cidades como Nova Iorque ou Londres, são o produto de milhões de impressões digitais, ao mesmo tempo únicas e globais. Gormley explora esta dicotomia do corpo humano como sujeito e objecto, através de um convite ao observador para embarcar numa viagem pela dimensão física das instalações em mostra. Cada experiência é única, mas ao mesmo tempo pode ser partilhada por terceiros de um ponto de vista diverso. Neste contexto, é de realçar Blind Light, cujo título dá nome à exposição, que consiste numa viagem pelo vazio, ou seja, por entre vapor de água denso, num compartimento rectangular de luz brilhante, que pode ainda ser observada do exterior se os sujeitos da viagem se aproximarem das paredes exteriores do compartimento. Por fim, Allotment II, ou uma miríade de caixas rectangulares de cimento, que representam o menor espaço possível com dimensões suficientes para abrigar um corpo humano.
O tema da interacção entre o ser individual e as mega-metrópoles de hoje é retomado pela Tate Modern. Para além de Dalí and Film e The Body of Colour, por Hélio Oiticica, uma das exposições temporárias da Tate é, precisamente, dedicada às Global Cities. De acordo com as estatísticas mais recentes das Nações Unidas, 50% da população mundial vive hoje em cidades e é estimado que em 2050 esta percentagem ascenda aos 75%. Esta exposição analisa e interpreta o impacto deste crescimento urbano nas pessoas e no ambiente. No fundo, explora o eu e a dimensão social e espacial do eu e em que medida as decisões individuais do eu e a forma como o eu vive são (ou não) influenciadas pela dimensão dinâmica das cidades onde se insere.
[Publicado no Semanário Económico - 6 de Julho, 2007]